A vida devota de William Law

William Law nasceu em 1686, em Kings Cliffe, Northamptonshire, Inglaterra. Foi um pregador inglês, ordenado em 1711. Residiu em Cambridge, onde ensinou. A ascensão ao trono de Jorge I lhe impediu seguir, dado que não prestou o juramento de adesão ao novo governo e abjuração dos Stuart.

Durante os anos seguintes parece que viveu em Londres. Em 1727 foi tutor de Edward, filho de Edward Gibbon (1666-1736) em Putney, a quem acompanhou como aio a Cambridge, onde esteve durante quatro anos. Quando seu pupilo foi para o estrangeiro, Law continuou na casa de Gibbon, em Putney, atuando como conselheiro espiritual não só da familia, senão de toda uma serie de amigos que iam por ali, entre os quais estavam os dois irmãos John e Charles Wesley, o poeta John Byron, o médico George Cheyne e o membro do parlamento Archibald Hutcheson.

Em 1740 Law se retirou a Kings Cliffe, que havia herdado de seu pai, donde viveu com duas damas: a Sra. Hutcheson, a rica viúva de seu velho amigo, que a recomendou em seu leito de morte para que se deixara guiar por Law espiritualmente, e a Srta. Hester Gibbon, irmã de seu último aluno. Os três viveram durante 21 anos uma vida de recolhimento, devoção, estudo e caridade. No fim da sua vida ele fundou escolas e albergues para os pobres.

William Law foi um místico notoriamente influenciado por Jacob Boheme. Ele influenciou muito a John Wesley, mas Wesley rejeitou a sua ênfase mística sob a influência do místico alemão Boehme.

De suas obras como escritor, é conhecido sobretudo por: Um Sério Chamado Para Uma Vida Devota e Santa, e Perfeição Cristã. Publicou-se também O Espírito de Oração e O Espírito de Amor. Um Sério Chamado Para Uma Vida Devota e Santa teve grande influência espiritual e moral na Inglaterra e em outras partes do mundo. É tido como um dos prenúncios do movimento metodista do mesmo século.

As características principais do pensamento e das obras de Law são a concepção de Deus como Luz e Amor; a presença de Deus no ser humano; a identificação do ego como a raiz do mal e da rebeldia contra Deus; a existência de uma dupla natureza no ser humano, uma divina, celestial ou angélica, e outra diabólica, terrena e corrupta; o importante papel da vontade humana; a definição da religião como uma via (caminho) interior, baseada no amor e na oração constante em identificação com o amor divino.

Este último item, o amor de Deus, será sempre suficiente para superar toda divisão, mesmo entre os crédulos cristãos:

“Os homens podem dividir-se entre eles para ter Deus como se fosse algo seu, podem odiar-se e perseguir-se no nome de Deus, porém é uma bendita verdade que nem o odiado nem o que odeia podem ser divididos nem separados do Deus único, santo e universal, que com inalterável doçura, clemência, paciência e boa vontade para com todos, a todos espera, a todos chama, a todos redime e a todos abraça nos braços abertos de seu universal Amor.”

Por outro lado, a noção da graça divina como caminho para o despertar do homem pecador até sua salvação é outra qualidade de seu pensamento e pode ser observada em frases como esta:

“Pelo contrário, tudo o que significa graça, redenção, salvação, santificação, vida espiritual e novo nascimento não é outra coisa senão o resultado de haver voltado a encontrar na alma a Vida e Ação de Deus. É o homem que retornou de novo a seu centro e lugar em Deus, de onde se havia apartado.”

Caroline Spurgeon, em sua História da Literatura Inglesa, coloca William Law entre os maiores escritores anglo-saxões, destacando como principal qualidade de seu estilo uma síntese surpreendente de sinceridade, força e lucidez, ligada a uma deliciosa melodia de ritmo e dom imaginativo, bem como “uma rara combinação de razão e emoção que cativa tanto o intelecto como o coração do leitor.” John Wesley, seu contemporâneo, disse dele: “Há poucos escritores de hoje, que podem competir com o Sr. Law em beleza e força da linguagem, presteza, vivacidade e riqueza do pensamento, bem como a precisão do sentimento.

Mas William Law é antes de tudo um homem de Deus, que vive na atmosfera do sagrado, totalmente enraizada na realidade divina. Aqui está o segredo da beleza de sua linguagem e a verdadeira raiz do esplendor de seu estilo. “Eu tinha – escreveu Hopkinson – um sentido do numinoso: sentia a força impressionante e irresistível do Divino.” Daí a impressão de firmeza e força, brilho e transparência, de totalidade plena, que desperta sua obra e sua pessoa. “Poucos homens, acrescenta o autor citado acima, têm luzido uma integridade tão completa em suas vidas e em seus escritos.

William Law morreu em 9 de abril de 1761.

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