Os novos ateus não possuem os fundamentos morais que lhes permite justificar a genuína crítica do teísmo*

Por Antonio Renato Gusso

Cada vez mais o cristianismo tem sofrido críticas por parte daqueles que imaginam que o mundo seria melhor sem religião. Sem uma análise profunda do fenômeno religioso em si, e, em especial, da Bíblia Sagrada como um todo, com suas duas partes distintas, mas, ao mesmo tempo essencialmente ligadas, Antigo e Novo Testamento, novos ateus, apoiados por uma mídia direcionada e determinada a abalar as bases da fé cristã, têm conseguido criar dúvidas nas mentes de muitos que não conseguem entender alguns dos textos bíblicos que, em primeira mão, fora de seus contextos, dão a impressão de ser incoerentes ou contraditórios. Assim, este livro vem em boa hora.

Paul Copan, como excelente apologista que é, parte do movimento do Novo Ateísmo, levanta perguntas importantes e dá respostas bem abalizadas para cada uma delas, sempre contando com o aval de reconhecidos eruditos na área da ética cristã. Assim, conseguiu produzir este livro que será muito útil para todos os que desejam saber o significado real do conteúdo bíblico, sem o direcionamento daqueles que procuram fazer uma leitura superficial da Bíblia apenas à luz do contexto atual, mas que desprezam o seu contexto original, fundamental para que ela seja bem compreendida.

Ele conseguiu a proeza de produzir um livro que ao mesmo tempo é simples e profundo. Ou seja, Paul Copan foi capaz de tratar com sucesso assuntos dificílimos, que têm incomodado a muitos já por muito tempo, e que têm sido evitados ou passados ligeiramente pelos comentaristas. Fez isto com boa base de argumentação ao mesmo tempo em que apresentou suas ideias de forma compreensível para a maioria das pessoas. Isto é importante, pois não são apenas os estudiosos que precisam conhecer melhor as formas de esclarecer os textos difíceis da Bíblia, mas todo o povo cristão.

Um dos destaques da obra é como ela esclarece a necessidade de conhecimento do contexto bíblico e a continuidade da revelação do Antigo no Novo Testamento. Ainda que trabalhe mais no Antigo Testamento, ele leva a sério o cânon completo, mostrando, em destaque, o cumprimento da Lei em Jesus.

Esta obra de Copan, que leva o sugestivo nome “Deus é um Monstro Moral?”, não é para ser apenas lida. Ela precisa ser lida e estudada. O leitor fará bem em ler com atenção e paciência, com sua Bíblia ao alcance das mãos, para que possa conferir alguns textos e perceber bem o que ele vai defendendo. Inclusive, ao final do livro existe um roteiro muito interessante para estudos em grupos, direcionados pelo autor para os adultos participantes das Escolas Bíblicas nas igrejas. Em nosso contexto brasileiro eu diria que, além dos adultos, a obra será ainda melhor aproveitada se utilizada por grupos de jovens que se preparam para entrar nos Cursos Superiores, onde, muitas vezes, são desafiados em sua fé e não sabem como reagir diante dos ataques que recebem. Inclusive, o livro pode servir de material importante para que os jovens não só defendam, mas possam levar a sua fé a outros no meio universitário, criando grupos de estudos para interessados. Com certeza, este livro também é indicado como roteiro para este tipo de estudos neste ambiente específico.

Paul Copan foi muito feliz ao escrever este livro, pois seu trabalho resultou em uma obra inteligente, moderna, bem embasada na pesquisa bíblica atual e necessária nesta época de tantos questionamentos a respeito da fé cristã. Mesmo que alguns de seus leitores, naturalmente, venham a não aceitar tudo o que ele defende, ao menos se verão obrigados a pensar com mais cuidado em muitas das questões que ele apresenta. Desta forma, este é um livro que merece ser lido e divulgado. Certamente o tempo investido nele será muito bem recompensado por uma compreensão melhor a respeito de temas espinhosos que têm feito muitos ficarem em dúvida em relação à ética bíblica.

Uma ótima leitura para todos!

* Apresentação do livro: Deus é um monstro moral?, de Paul Copan. Tradução de Walson Sales. Maceió: Sal Cultural, 2016.

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