“É o ativismo sociopolítico do Novo Ateísmo que é novo, não as suas ideias”

Peter Williams é um filósofo cristão e apologeta. Atualmente leciona na Faculdade de Comunicação e Jornalismo de Gimlekollen, na Noruega. Seu recente trabalho CS Lewis versus os Novos Ateus  chega agora ao Brasil numa produção da Editora Sal Cultural. No livro, Williams percorre as ideias de CS Lewis e as contrapõe aos argumentos desta nova geração de ateus que tem se dedicado, como ele enfatiza, a um “ativismo sociopolítico”.  Nesta breve entrevista ele nos fala um pouco a respeito do seu novo livro.

O Wesleyano – O que te motivou a escrever um livro sobre C. S. Lewis e os Novos Ateus?
Peter Williams – A principal coisa que meu editor me perguntou foi se eu estaria interessado em escrever um livro desses! Pensei muito sobre a ideia e me deparei com o fato de que Lewis conviveu, em Oxford, com eruditos como A. J. Ayer, que iriam influenciar a maioria dos “Novos Ateus” de hoje,quando eles fizeram seu trabalho de doutorado na Universidade de Oxford, uma geração mais tarde. Há uma conexão real, em Oxford, entre Lewise o Novo Ateísmo. Na minha pesquisa, eu também descobri que, quando era ateu, C. S. Lewis sustentou várias posições que eram sustentadas pelos “Novos Ateus” (o que mostra que elas não são, realmente, ‘Novas’), por isso,havia um terreno inicial comum e uma história a ser explorada, a respeito das razões que levaram Lewis a se afastar do ateísmo em direção ao Cristianismo e como os Novos Ateus interagem com as mesmas questões.
O Wesleyano – É fácil apresentar as ideias de Lewis?
Peter Williams –  Reli muito do que Lewis escreveu, a fim de escrever este livro, até mesmo lendo muitas de suas primeiras cartas, bem como, muitos dos seus livros e ensaios. Eu também li várias fontes secundárias, onde estudiosos refletem e desenvolvem as ideias de Lewis, no contexto filosófico contemporâneo.
O Wesleyano – Uma coisa que chama a atenção é o debate estar centrado em Oxford. Este é um exemplo para outras comunidades acadêmicas?
Peter Williams – No Reino Unido, parece que a maior parte do “debate sobre Deus” contemporâneo, gira em
torno da Universidade de Oxford. Por um lado, muitos dos “Novos Ateus” estão associados a Oxford, estudiosos como Richard Dawkins, A. C. Grayling e Peter Atkins. Por outro lado, muitos acadêmicos cristãos que responderam aos Novos Ateus e ao ateísmo, mais geralmente, estão ligados a Oxford. Estou pensando em pensadores cristãos notáveis como Richard Swinburne, Keith Ward, John C. Lennox e Alister McGrath.
O Wesleyano – Existe, realmente, algo novo no discurso dos Novos Ateus?

Peter Williams – Na verdade, não. São ideias recicladas da filosofia e estudos bíblicos do começo do século XX, que estudiosos contemporâneos, nesses campos, já descartaram (por boas razões), há muito tempo! É o ativismo sociopolítico do Novo Ateísmo que é novo, não as suas ideias.

 maxresdefault
O Wesleyano – Um dos temas recorrentes nessas discussões é o problema do mal. Diz respeito tanto a ateus quanto a teístas. Há um consenso de que não precisamos conhecer a Deus para saber o certo e o errado; se assim for, como pode a discussão a respeito da moralidade, contribuir para a revelação de Deus ao incrédulo?

  Peter Williams – Os novos ateus deturpam, repetidamente, o argumento moral de Deus, como a falsa alegação de que você não pode saber ou fazer a coisa certa, se você não acredita em Deus. No entanto, o argumento moral, na realidade, antecipa a afirmação de que, se Deus não existe, não poderia existir tal coisa, como “a coisa certa a fazer”. Essa é uma afirmação diferente. É a existência de obrigações e mandamentos morais, que estão fora de nosso controle e que indicam a existência de uma fonte transcendente, ainda que pessoal, da obrigação e prescrição moral.

 O Wesleyano – Em uma área de conhecimento, que ao longo dos anos, tem sido dominada pela razão, os sentimentos, aparentemente, estão começando a ter algum valor. A filosofia contemporânea mudou a este respeito?
 Peter Williams – A filosofia contemporânea presta mais respeitosa atenção às intuições humanas, do que a forma como as coisas se apresentam para nós. Filósofos, como Richard Swinburne, argumentaram que, ser racional significa assumir que nossas intuições são confiáveis, a menos que tenhamos uma razão suficiente, para pensar o contrário. Por exemplo, se você tem a intuição de que Deus existe, é razoável confiar nessa intuição, diante da ausência de uma oposição esmagadora a essa crença. Porém, o ônus da prova recai sobre o cético, não sobre o crente. Esta é a extensão de um princípio de credulidade, que se aplica às nossas percepções sensoriais, mas também às faculdades cognitivas, como a memória.
O Wesleyano – Deixe uma mensagem os leitores brasileiros.
 Peter Williams – Na companhia de C. S. Lewis podemos entender a mente de um ateu que leva a filosofia a sério e que lida, seriamente, com a questão de Deus, seguindo a evidência aonde ela o levar. Nos Novos Ateus, vemos uma incapacidade de compreender e lidar, seriamente, com a filosofia e a incapacidade de lidar, seriamente, com a questão de Deus. Espero que meu livro ajude os leitores a enxergarem além do blefe, não substancial, dos Novos Ateus e a   descobrirem que se pode ser sério, sobre a filosofia e sobre Deus.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*